A CRISTOLOGIA DE TEILHARD DE CHARDIN

Como se sabe, a cristologia é o ramo da teologia que estuda a pessoa de Jesus. Pela cristologia procura-se responder a pergunta: “Quem é Jesus?”

Existem e existiriam ao longo da história da Igreja, muitas diferentes formas de responder a essa pergunta. Existem portanto dentro da Igreja, muitas diferentes cristologias. Mesmo dentro do Novo Testamento, encontra-se varias cristologias, ou seja, diferentes respostas sobre a pessoa de Jesus.

A cristologia de Teilhard de Chardin, situa a humanidade no processo evolutivo do Cosmos, isto é, baseia-se no fato científico da Evolução. Nesta linha, Jesus será enfocado como o “motor” e o “objetivo final” de todo o processo evolutivo. Chardin chama o Cristo de “o Cristo evolutivo”, ou de “ponto-ômega”. Chamando Cristo de ponto-ômega, Teilhard refere-se ao trecho do livro do Apocalipse em que Jesus diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega”.

Teilhard de Chardin, no contexto de uma contradição entre fé e ciência, deseja reconciliar o que ele considera as duas “fés”: a fé científica no processo evolutivo do mundo e a fé teológica no Cristo cósmico, de que fala S. Paulo. Entre essas duas fés, Chardin não encontra contradição, mas sim, uma “convergência maravilhosa”. Ele escreve:

“O Cristianismo mais tradicional, o do Batismo, da Cruz e da Eucaristia é suscetível de uma tradução onde passa o melhor das aspirações contemporâneas”.

Para Teilhard, Cristo seria o ponto-ômega, a meta final da evolução, oobjetivo para o qual tudo converge e se direciona, segundo as palavras deJesus: “Quando eu for elevado, atrairei todas as coisas para mim”. Jesus é oponto-ômega da evolução do universo, a causa final que atrai tudo para simesmo.Cristo é também o motor da evolução; é o eixo que conduz e direciona todo processo evolutivo. O Cristo cósmico de Paulo é o Cristo evolutivo. Jesus põe em movimento todo processo de evolução, orientando e dirigindo a marcha evolutiva do universo.

Teilhard escreve:”Eu creio que o Universo é uma Evolução. Eu creio que a Evolução vai para o Espírito. Eu creio que o Espírito, no Homem, se conclui no Pessoal. Eu creio que o Pessoal supremo é o Cristo Universal”.

Teilhard fala que o projeto de Deus é cristificar todo universo. O desejo de Deus é transformar tudo em “outro Cristo”, ou seja, continuar o mistério da Encarnação do Verbo no mundo inteiro. Referindo-se a essa cristificação do Cosmos, por meio da Eucaristia, Teilhard fala poeticamente e com lindas palavras:

“Quando o sacerdote pronuncia as palavras: ‘Isto é o meu corpo’, as palavras incidem diretamente sobre o pão e diretamente transformam-no na realidade individual do Cristo. Mas a grande ação sacramental não pára neste acontecimento local e momentâneo… Há uma ‘eucaristização’ de toda a criação”.

“Quando o Cristo, prolongando o movimento da sua encarnação, desce ao pão para substituí-lo, sua ação não se limita à parcela material que sua Presença vem, por um momento, volatizar. Mas a transubstanciação se aureola de uma real, ainda que atenuada, divinização de todo o Universo. Do elemento cósmico em que se inseriu, o Verbo age para subjugar e assimilar a Si todo oresto”.

Teilhard encontra comprovação desse processo de cristificação do Cosmos no trecho paulino: “Deus será tudo em todos”.

Seria errado imaginar que para Teilhard, o fato da evolução, pode, por simesmo, levar a conclusão ou dar por assentado que o mistério da encarnação seja necessário. Somente pela revelação se conhece o fato da encarnação e só por ela pode ser conhecido, como também só pela fé cristã se pode-se descobrir nos mistérios de Cristo a “convergência maravilhosa” entre o processo evolutivo do mundo e a “cristificação” do cosmos. No entanto, a fé cristã e o conhecimento científico do fenômeno evolutivo, como que “exige” um ponto final, um ápice, uma meta, um objetivo, para o qual tudo se direciona e converge. Teilhard fala, assim, que Cristo seria como que o ápice de uma abóboda, no qual se encerra e completa todo o processo da evolução. O processo evolutivo, para ser coerente e racional, “exige” o ponto-ômega.

No pensamento de Chardin, não pode o Cristo-ômega, com sua natureza cósmica, ser reduzido a um princípio abstrato. Jesus, o ponto-ômega, é o mesmo Jesus de Nazaré, que nasceu em Belém, viveu no meio de nós, morreu e ressuscitou. Teilhard insiste em afirmar que só quando inserido pessoalmente no “phylum”humano é que Cristo pode agir como causa final, que atrai para si próprio o cosmos em processo de evolução. O ponto-ômega verdadeiramente assumiu a humanidade e a recapitulou. Ele escreve:

“Se se suprimisse a historicidade de Cristo, isto é, a divindade do Cristo histórico, chegar-se-ia, imediatamente, à anulação de toda a experiência mística dos 2.000 anos do cristianismo. O Cristo filho da Virgem e o Cristo ressuscitado são indissociáveis”.

A cristologia de Teilhard é “ascendente” ou “de baixo para cima”, no sentido de que situa sua análise teológica na natureza humana, na ordem da criação, e daí eleva-se até a divindade de Cristo.

Uma crítica que se faz à cristologia de Chardin, é que ela tem pouca base bíblica e tende a perder o contato com a vida concreta e histórica de Jesus, em seus aspectos histórico-culturais.

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