Literatura e teologia: Teilhard de Chardin, Saint-Exupéry e a terra dos homens

Waldecy Tenório entende que é na terra dos homens que se encontram a teologia e a literatura, e é lá que se encontram também Saint-Exupéry e Chardin

Por: Graziela Wolfart, Gilda Carvalho e Eliana Yunes

Ao traçar um rico paralelo entre as trajetórias de Teilhard de Chardin e Saint-Exupéry, o professor Waldecy Tenório reconhece que ambos “atingiram o limite da angústia quando se perguntaram, em suas respectivas obras, o que poderiam dizer aos homens do século XX para que eles não se perdessem”. E continua: “no início do século XXI, em meio ao ceticismo generalizado e aos horrores em que vivemos, marcados por tantas feridas narcísicas, o que diriam eles para que não nos percamos? Por certo, nos lembrariam a lição conjunta da literatura e da teologia, condensada naquela frase shakesperiana de Teilhard: É melhor ser do que não ser”. Na entrevista concedida, por e-mail, para a IHU On-Line, ele fala sobre as cinco aproximações entre o teólogo jesuíta e cientista e o escritor aventureiro que cruzou os céus, como piloto do Correio Aéreo francês.

Waldecy Tenório é graduado em Letras Clássicas e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo. É autor, entre outros trabalhos, de A Bailadora Andaluza: a explosão do Sagrado na poesia de João Cabral (Ateliê Editorial/Fapesp). Foi pesquisador do IEA – Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e é, atualmente, professor associado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Confira a entrevista

IHU On-Line – O título desta entrevista é o título de uma palestra recente sua. Por que formulá-la dessa maneira?

Waldecy Tenório – Bom, Umberto Eco já disse várias vezes que um título deve confundir e não disciplinar as ideias. Nesse sentido, não sei se ele é bom e certamente pode-se tentar melhorá-lo. Entretanto, do jeito que está oferece a vantagem de podermos extrair dele dois pares de polaridades que servirão de balizas para o que vou dizer. O primeiro par “Literatura e teologia”. O segundo, Teilhard de Chardin e Saint-Exupéry, duas grandes vozes do século XX: o paleontólogo e teólogo, autor de  O fenômeno humano,  e o piloto e escritor autor de O pequeno príncipe, duas obras  igualmente  importantes, cada uma no seu lugar. Além disso, a propósito do título, devemos notar ainda que os dois pares de polaridades convergem (e esse é um verbo teilhardiano) para a expressão “terra dos homens”. E aqui cabem duas observações: terra dos homens é simultaneamente uma alusão ao nosso planeta, objeto privilegiado da reflexão de Teilhard, e ao romance talvez mais importante de Saint-Exupéry, por coincidência, o livro preferido pelo teólogo no conjunto da obra do escritor; segunda observação: a ponta final do sintagma – “dos homens” (Teilhard não precisava acrescentar: e das mulheres, estava implícito) é o lugar onde se dá o grande encontro entre os dois autores que estamos aproximando. É na terra dos homens que se encontram a teologia e a literatura, é na terra dos homens que se encontram Saint-Exupéry e Chardin. De qualquer modo, como já foi dito, o título não pretende disciplinar as ideias e quer ser apenas mapa e roteiro para não nos perdermos no caminho.

IHU On-Line – Vamos então às polaridades…

Waldecy Tenório – O primeiro par é Literatura e teologia. A questão se coloca porque estamos fazendo uma aproximação entre um escritor e um teólogo. Se pensarmos numa teologia sistemática, Chardin não foi certamente um grande teólogo, nem quis ser. Sua visão de mundo, no entanto, é evidentemente teológica, de uma teologia consistente, e essa visão se aproxima de algumas grandes intuições presentes na obra de Saint-Exupéry. Entretanto, estamos pisando em terreno minado, esse lugar onde a literatura e a teologia se encontram, pois aqui há sempre o risco de sermos atingidos por uma bala perdida. Certos dogmatismos sobreviventes ainda hoje, nos dois lados, sempre provocam escaramuças. De um lado, o bloco dos teólogos seguros dos seus erros, lembrando a ironia do Umberto Eco de O Nome da Rosa, desconfia muito da literatura. Do outro, o bloco dos positivistas avançados considera a ideia de Deus como um simples ruído no transfundo da cultura. Cria-se então uma espécie de pororoca na qual todos se afogam.

Mas não tem importância. A teologia e a literatura podem ser irmãs inimigas, podem se beijar ou se morder, dar de ombros uma para a outra, o fato é que no fundo do texto pulsam desejos e eles impulsionam a paixão comum pelos seres humanos. A teologia nos fala da encarnação, esse é o ponto central. Um Deus se apaixona tanto pelos homens, que se fez carne e habitou entre nós. E quanto à literatura? Nosso saudoso colega José Carlos Barcelos gostava de dizer, em tom de boutade, que literatura e teologia são palavras femininas e daí as relações entre as duas serem meio tensas, do tipo amor e ódio. De fato, literatura e a teologia afastam-se, aproximam-se, desdenham-se, admiram-se, beijam-se, mordem-se… mas há um momento em que elas se dão as mãos. Quando? Leila Perrone-Moisés  nos ajuda a descobrir. A propósito de Fernando Pessoa,  ela afirma: “Pessoa, como todos os escritores, escreve não para dizer o que vê, mas porque o que vê não lhe basta”. Ora, não é esse o tema da insuficiência ontológica tão caro à teologia? Não precisamos insistir na afirmação de que aquilo que a literatura vê não lhe basta porque o que ela vê, e imediatamente denuncia, é a insuficiência ontológica. Aliás, o discurso poético, diferente do discurso conceitual, não apenas denuncia: ele mostra a insuficiência. Veja-se, por exemplo, o poema “Science Fiction”, de Drummond.  A desintegração daquele ser “que no existir põe tamanha anulação de existência” é mostrada na desintegração de um poema que tem o título em inglês, Science Fiction, e o texto em português, o que o torna, de certo modo, meio esquizofrênico. É de se notar também que o marciano se desintegra quando recusa o colóquio, quando nega a linguagem e a possibilidade do diálogo, elementos que fazem parte, ao mesmo tempo, do repertório literário e do repertório teológico. Lembremo-nos, a esse propósito, de que Shakespeare foi o antídoto que a literatura inventou para enfrentar Descartes. Quase no mesmo momento em que o autor de O discurso do método opera a cisão do ser, Shakespeare entra em cena para nos lembrar que ser ou não ser é a questão fundamental da condição humana. Por isso é a questão fundamental da literatura e da teologia. Darei a esse respeito, de maneira bem resumida, três posições clássicas: Santo Irineu  quando afirma que a glória de Deus é o homem vivo; Santo Agostinho quando lembra que todo aquele que é menos do que foi, não enquanto é, mas enquanto é menos, é mau; Karl Rahner  quando diz que diminuir o homem é diminuir o próprio Deus. Por isso, o encontro entre a literatura e a teologia se dá, significativamente, num momento fundamental da fé: a encarnação. Se puder citar ainda uma vez Santo Agostinho, lembrarei uma ideia muito rica que está em seus escritos: Só a teologia é suficientemente ousada para nos dizer que o verbo se fez carne. Só que o verbo, de certo modo, também se faz carne na literatura, razão pela qual Agostinho é, ao mesmo tempo, teólogo e escritor, e as Confissões estão entre as grandes obras da literatura universal. De qualquer modo, podemos dizer que as mesmas grandes questões de que se ocupam a filosofia e a teologia, de maneira inteiramente abstrata, são tratadas pela literatura com a mediação de personagens. É isso que chamo de encarnação, mesmo quando é involuntária, como acontece num conto de Clarice Lispector.  Digamos então que a literatura e a teologia se encontram na passagem do logos filosófico para o pathos literário. É aí que as duas se encontram e revelam a mesma paixão pelo ser.

IHU On-Line – A segunda polaridade…

Waldecy Tenório – Pois é, Teilhard de Chardin e Saint-Exupéry. Agora estamos falando de polaridades masculinas e, embora a psicologia seja diferente, temos também aqui aproximações e distanciamentos, divergências e convergências. Como na primeira polaridade, o teólogo e o escritor convergem quando se trata de falar do ser humano. Mas alguém poderia se perguntar: é mesmo possível essa convergência entre o sacerdote, teólogo e cientista Teilhard de Chardin e o escritor aventureiro que cruzou os céus como piloto do Correio Aéreo francês, levando as cartas que falam da tristeza, da esperança, do sofrimento, da alegria e dos amores humanos?

IHU On-Line – É então possível aproximar esses dois?

Waldecy Tenório – Não só é possível, como a aproximação se verifica de fato. Aliás, eu poderia apontar várias aproximações. A primeira delas, para começar: ambos são franceses. Teilhard nasce em 1881 e morre em 1955, aos 74 anos. Saint-Exupéry nasce em 1900, 19 anos depois do nascimento de Teilhard, e morre em 1944, aos 44 anos, 11 anos antes da morte de Teilhard. Se pensarmos somente na chamada vida adulta de ambos, podemos dizer que os dois foram contemporâneos e suas vidas na Terra coincidiram durante pouco mais de vinte anos. Eles teriam se encontrado alguma vez? Em algum momento os seus caminhos se cruzaram durante esses anos? Já vimos que entre eles havia uma diferença de idade de 19 anos. Mesmo assim, algumas coisas são comuns. Ambos estudaram em colégios de padres. Exupéry chegou a frequentar, ainda que por pouco tempo, o mesmo colégio no qual Teilhard fez o curso que então se chamava de Humanidades. Quanto à formação de cada um, aí as coisas se dão de maneira diferente. Teilhard entra na Companhia de Jesus e não sai mais. Aos 19 anos é noviço em Aix-en-provence. Já a trajetória de Saint-Exupéry é sinuosa e passa por experiências diferentes: entre as Belas Artes e a filosofia, ele demora a se encontrar e a se decidir pela aviação e depois se tornar escritor. Houve, entretanto, um momento em que, procurando o seu caminho, Saint-Exupéry pensou em seguir a vida monástica. É, por coincidência, o mesmo momento no qual Teilhard atrai grande número de pessoas que vão ouvir as célebres conferências que o jesuíta, já começando a ser conhecido, pronuncia em Paris. Ora, aqui podemos perguntar se o jovem Exupéry, tão inquieto e indeciso quanto ao rumo que daria à própria vida, não teria ido a uma dessas conferências, em busca de orientação. Quem sabe se, no meio de todas aquelas pessoas que iam ouvir Teilhard, não estaria o jovem Antoine… Ninguém sabe, não há indícios, estamos no reino das conjecturas. André Devaux, que publicou um livro sobre os dois, no início da década de 60, prefere dizer que o encontro entre ambos se deu num nível mais profundo da vida. Devaux lê o que eles escreveram sobre as experiências da própria vida e parece nos dizer: Olha, é aqui que eles se encontram, no mais profundo de sua experiência existencial.

IHU On-Line – Isso nos leva à segunda aproximação?

Waldecy Tenório – Sim. Lendo Devaux e mergulhando nos textos, surpreendemos a coincidência no pensamento de cada um. Vejamos, por exemplo, o que pensam da infância. Teilhard escreve à mãe: Nunca perco o contato com o meu Auvergne natal. Acho que uma infância feliz é essencial para uma vida de homem. Como se fosse um diálogo secreto entre os dois, Saint-Exupéry também escreve à mãe: Este mundo de recordações infantis, de nossa linguagem e dos jogos que inventávamos, me parecerá sempre desesperadamente mais verdadeiro do que o outro. E então ele pergunta: “De onde eu sou?” E responde: “Sou da minha infância como se é de um país”. Em 1936, o avião de Saint-Exupéry sofre uma pane e ele é obrigado a descer em pleno deserto. Dali escreve à mãe: Chamei por você no deserto… era de você que eu precisava, a você cumpria proteger-me e abrigar-me…e eu a chamava… você, tão frágil, sabia que era anjo da guarda, tão cheia de bênçãos, para ser chamada na solidão do deserto, dentro da noite? Como contraponto, temos essa confidência de Teilhard: Eu devia andar pelos meus sete anos quando vi um cacho de meus cabelos pegando fogo. Era assim que desapareciam os objetos de minha própria vida. Consola-te, Pedrinho – disse mamãe – as coisas não se perdem totalmente. Mudam, transformam-se. Este pensamento nunca saiu de minha memória. É à minha mãe que devo a visão otimista que sustentou minha carreira de pesquisador.

IHU On-Line – Onde se manifesta ainda essa coincidência de pensamento?

Waldecy Tenório – No amor de ambos pela geologia, pelas pedras, e esta é a terceira aproximação. Veja só o que escreve Henry Brémond, o conhecido autor de Prière et poesie: Há trinta anos, tive como aluno em Humanidades, um jovem auvernês muito inteligente, o primeiro em tudo, mas desesperadamente tímido. Os mais rebeldes da classe, e até os mais lerdos, animavam-se de vez em quando. Ele, porém, nunca. Só muito tempo depois eu soube o segredo dessa aparente indiferença. Ele tinha uma outra paixão, ciosa, absorvente, que o fazia viver longe de nós: as pedras. Veja agora este diálogo que está em Vôo noturno, de Saint-Exupéry: O inspetor corara ao ousar uma confidência destas. Consolavam-no de todas as decepções e do infortúnio conjugal, e de toda esta triste verdade, umas pedrinhas escuras que rasgavam uma janela sobre o mistério. Corando um pouco mais: Encontram-se iguais no Brasil. E Pellerin batera amigavelmente no ombro dum inspetor debruçado sobre a Atlântida. Fora também por pudor que Pellerin perguntara: Gosta de geologia? – É a minha paixão.

IHU On-Line – Além da infância, da geologia e das pedras, que outro tema os apaixona?

Waldecy Tenório – A Terra, e se estou certo, esta é a quarta aproximação. Num de seus mais belos textos, “A missa sobre o mundo”, Teilhard nos diz que ela é um altar e uma hóstia.  “Recebei, Senhor, esta hóstia total que a Criação, movida por vossa atração, vos apresenta à nova aurora… O sol acaba de iluminar, lá embaixo, a franja extrema do Oriente. Uma vez ainda, sob a móvel toalha de seus fogos, a superfície da Terra desperta, freme e recomeça seu espantoso labor. Meu Deus, colocarei sobre minha patena a messe esperada deste novo esforço. Verterei em meu cálice a seiva de todos os frutos que serão hoje esmagados”. E a Terra, para Teilhard, é também a terra dos homens: Um a um, Senhor, eu os vejo e os amo… Da mesma maneira, Saint-Exupéry contempla o seu “planeta errante”. Lemos em Terra dos homens o seu encontro com a pedra que se humaniza em lágrima: Sentia uma alegria talvez pueril em marcar com os meus passos um território que ninguém nunca, nem homem nem bicho, havia pisado… Era o primeiro a fazer escorrer de uma mão para outra, como ouro precioso, aquela poeira de conchas, o primeiro testemunho da vida…O coração batendo com força, abaixei-me para apanhar o meu achado: um pedaço de pedra dura, negra, do tamanho de um punho, em forma de lágrima. E em tudo isso, o que mais importa a Saint-Exupéry é também o que mais importa a Teilhard: O mais maravilhoso, porém, é que houvesse ali, de pé, sobre o dorso curvo do planeta, entre o branco lençol de areia e as estrelas, uma consciência de homem. É o que vemos também em Guillaumet, personagem de Terra dos Homens: O que eu fiz, palavra que nenhum bicho, só um homem era capaz de fazer. Ora, o primado da consciência não é um dos temas privilegiados de Teilhard?  Eis a fórmula teilhardiana: É melhor ser do que não ser. É melhor ser mais do que ser menos. Não é notável?

IHU On-Line – Para além dessas coincidências de pensamento, teria havido algum encontro efetivo entre os dois?

Waldecy Tenório – Desde o início estamos nos perguntando se, por acaso, o teólogo e o escritor se encontraram alguma vez no decurso de suas vidas. Mas por falta de provas, o melhor a fazer é seguir a pista de André Devaux, segundo a qual o encontro entre os dois se deu não nos acontecimentos fortuitos, mas num nível mais profundo de suas existências. É certo, por exemplo, que Teilhard leu os livros de Saint-Exupéry e manifestou especial predileção por Terra dos Homens. Também é certo que Saint-Exupéry leu alguns ensaios de Teilhard. E daí? Daí que existe a esse respeito uma história incrível sobre os dois. Uma vez um amigo de Saint-Exupéry deu-lhe, de presente, um ensaio de Teilhard. Quando Saint-Exupéry morreu, esse ensaio foi encontrado em sua pasta de aviador. Como era uma cópia mimeografada, um editor pensou que o texto fosse do próprio Saint-Exupéry e já se preparava para publicá-lo como se fosse do escritor quando o amigo descobriu o imbróglio e evitou o escândalo. Freud explica ou teremos de apelar para a sincronicidade de Jung? Em todo caso, se foi possível atribuir a um o texto que era do outro, é porque inegavelmente existe uma grande afinidade entre eles. Essa afinidade se revela definitivamente nos parágrafos finais do Prólogo de O Fenômeno Humano, de Teilhard: Na verdade, duvido que haja, para o ser pensante, minuto mais decisivo do que aquele em que, caindo-lhe a venda dos olhos, descobre que não é um elemento perdido nas oscilações cósmicas, mas que uma universal vontade de viver nele converge e se hominiza. O homem, não no centro estático do mundo – como ele se julgou durante muito tempo – mas eixo e flecha da Evolução, o que é muito mais belo. Vou concluir lembrando que Teilhard de Chardin e Saint-Exupéry atingiram o limite da angústia quando se perguntaram, em suas respectivas obras, o que poderiam dizer aos homens do século XX para que eles não se perdessem. No início do século XXI, em meio ao ceticismo generalizado e aos horrores em que vivemos, marcados por tantas feridas narcísicas, o que diriam eles para que não nos percamos? Por certo, nos lembrariam a lição conjunta da literatura e da teologia, condensada naquela frase shakesperiana de Teilhard: É melhor ser do que não ser. E embora não tenhamos dito tudo, e a busca continue, chegamos à quinta aproximação, exatamente o lugar para onde o título, como mapa e roteiro, quis nos conduzir.

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