UM RESUMO DE MINHA PERPECTIVA “FENOMENOLÓGICA” DO MUNDO

PONTO DE PARTIDA E CHAVE DE TODO O SISTEMA

“Existe uma deriva cósmica da Matéria, propagando-se na contracorrente através da Entropia, rumo a estados de arranjamento cada vez mais centro-compexos (isto na direção ou no interior – de um “Terceiro Infinito”, o Infinito de Complexidade, tão real quanto o Ínfimo e o Imenso). E a consciência se apresenta experimentalmente como o efeito ou propriedade específica dessa complexidade levada a valores extremos”.

Quando aplicamos essa lei de recorrência (chamada “lei da complexidade-consciência”) à História do Mundo, vemos delinear-se uma série ascendente de pontos críticos e de desenvolvimentos extraordinários, – que são os seguintes:

1. PONTO CRÍTICO DE VITALIZAÇÃO

Em algum lugar no nível das Proteínas, produz-se (para a nossa experiência, ao menos) uma emergência inicial da Consciência no seio do Pré-Vivo. E, graças ao mecanismo concomitante de “reprodução”, a subida de Complexidade se acelera na Terra por via filética (gênese das Espécies ou Especiação).

A partir desse estágio (e no caso dos vivos superiores) torna-se possível “medir” a marcha da Complexificação orgânica pelos progressos da Cerebralização. Graças a esse artifício, destaca-se, no seio da Biosfera, um eixo privilegiado de Complexidade-Consciência: o dos Primatas.

2. PONTO CRÍTICO DE REFLEXÃO (OU DE HOMINIZAÇÃO)

Em decorrência de alguma mutação cerebral “hominizante” que se produz nos Antropóides em fins do Terciário, a Reflexão psíquica (não apenas “saber” mas “saber que se sabe”) irrompe no Mundo, e abre para a Evolução um domínio inteiramente novo. No Homem, sob as aparências de uma simples “família” zoológica nova, é na verdade uma segunda espécie de Vida que começa, com seu novo ciclo de arranjos possíveis e seu invólucro planetário especial (a Noosfera).

3. DESENVOLVIMENTO DA CO-REFLEXÃO (E ASCENÇÃO DE UM ULTRA-HUMANO)

Aplicado ao grande fenômeno da Socialização humana, o critério de Complexidade- Consciência fornece indicações decisivas. Por um lado, um irresistível e irreversível arranjamento técnico-cultural de dimensões noosféricas está se manifestando em progresso na sociedade humana. E por outro lado, o espírito humano não cessa de se elevar, por efeito de co-reflexão, coletivamente (graças às ligações tecidas pela técnica), à percepção de novas dimensões: organicidade evolutiva e estrutura corpuscular do Universo, por exemplo. O par “organização-exteriorização” reaparece aqui com evidência. Quer isso dizer que, sob os nossos olhos, o processo fundamental da Cosmogênese continua a operar como antes (ou até mesmo atua cada vez mais). Considerada em sua totalidade zoológica, a Humanidade oferece o espetáculo único de um filo sintetizando-se organopsiquicamente em si mesmo. Verdadeiramente, uma “corpuscularização” e uma centração (uma centralização) na Noosfera como um todo sobre si mesma.

4. PROBABILIDADE DE UM PONTO CRÍTICO DE ULTRA-REFLEXÃO À FRENTE

Se extrapolamos no futuro, a convergência técnico-mental da Humanidade sobre si mesma impõe a previsão de um paroxismo de co-reflexão, a alguma distância finita adiante de nós no Tempo: paroxismo que não se pode definir melhor (nem mesmo de outra forma) senão como um ponto crítico de um Ultra-reflexão. Não poderíamos naturalmente imaginar ou descrever um fenômeno assim (que implica aparentemente numa evasão para fora do Espaço e do Tempo). Entretanto, certas condições energéticas precisas, as quais deve satisfazer o acontecimento previsto (tais como ativação crescente, no Homem, do “gosto de evoluir” e do “querer viver”, ao se aproximar tal acontecimento), obrigam-nos a pensar que ele coincide com um acesso definitivo ao Irreversível (uma vez que a perspectiva de uma Morte total deteria definitivamente, por desencorajamento, a continuidade da Hominização).

Foi a esse termo superior da co-reflexão (isto é, de unanimização, de fato) humana que dei o nome de “Ponto Omega”: foco cósmico personalizante de unificação e de união.

5. VEROSSIMILHANÇA DE UMA REAÇÃO (OU “REFLEXÃO”) DE OMEGA DIANTE DO HUMANO NO DECURSO DA CO-REFLEXÃO (REVELAÇÃO E FENÔMENO-CRISTÃO)

Quanto mais refletimos sobre a necessidade de um Omega para sAstentar e animar a continuidade da Evolução hominizada, mais percebemos duas coisas:

  • A primeira é que um Omega puramente conjectural (puramente “calculado”) seria frágil demais para manter no coração do Homem uma paixão suficiente para faze-lo hominizar-se até o fim;
  • A segunda é que, se Omega existe realmente, é difícil conceber que seu supremo “Ego” não se faça sentir diretamente como tal, de algum modo, a todos os “egos” incoativos (isto é, a todos os elementos reflexivos) do Universo.

Desse ponto de vista, a antiga e tradicional idéia de “revelação” reaparece e se reintroduz (desta vez por via de biologia e de energética evolutiva) na Cosmogênses.

E também desse ponto de vista, a corrente mística cristã toma uma significação e uma atualidade extraordinárias.

Pois, se é verdade que, de toda a necessidade energética, o processo de complexidade-consciência exige absolutamente, para se consumar, o calor de alguma Fé intensa, – é também verdade (e isso salta aos olhos desde que nos demos o trabalho de inspecionar á nossa volta) que não há presentemente nenhuma Fé em vista capaz de animar plenamente (amorizando-a) uma Cosmogênese de convergência, a não ser aquela Fé num Cristo “pleromizante” e “parusíaco” in quo omia constant (“Em que tudo subsiste”).

(Em As Direções do Porvir – Pierre Teilhard de Chardin, 1954)

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