“Tudo o que Sobe, Converge.”

(por: Maria Luiza Glycerio)

As “Leis” de Teilhard e o Sentido da Evolução

Precisamos remontar ao livro O Fenômeno Humano para entender a ideia original de uma Evolução que se processa por etapas, organizando-se em leques, que produzem novos galhos para a Árvore da Vida. Cada leque sendo o resultado de um paroxismo que forma um nó, criando em sua potencialidade de Vida. Interiorizada nesse nó, a raiz estruturada de um novo galho sob a forma de um novo leque, o qual se expande lateralmente, em um movimento ascendente, até a máxima especialização de cada ramo, e quando alcança essa especialização última, tende – como todos os outros leques – a se inclinar sobre si mesmo, em um movimento curvo em torno do eixo central, seguindo a direção geral de um mundo que se inclina sobre si mesmo.

A Noosfera, pari passu com a Evolução da Vida e do Homem, desenvolve-se em harmonia ao lado do pensamento humano. Ela também inclina-se sobre si mesma, seguindo a evolução do cérebro humano e em uma tendência generalizada de um mundo que se enrola sobre si mesmo. O pensamento humano, cada vez mais especializado e mais interiorizado, cria uma curvatura na Noosfera, enquanto podemos dizer que tudo o que sobe, converge.

Lei Principal: o eixo central de “Complexidade-Consciência”

Essa lei é o núcleo da visão de Teilhard sobre a Evolução do Cosmos, a qual compreende a Evolução planetária e a da Terra, ao mesmo tempo, paralelamente uma com a outra, como ele nos explica com alguns gráficos, em O Grupo Zoológico Humano, mas mais extensamente em O Fenômeno Humano.

O eixo de Complexidade-Consciência rege o ritmo da Evolução, desde o microcosmos até o macrocosmos. Para cada progresso em algum nível celular, corresponde o mesmo progresso estelar, ao nível da constituição planetária.

Desde os seres vivos unicelulares até os seres vivos multicelulares, há uma flecha que regula a Evolução e essa flecha é o eixo de Complexidade-Consciência. Quanto mais um animal é complexo, tanto mais ele é consciente. No caso do Homem, ele é o mais complexo em estrutura física e também o mais consciente ser vivo da Natureza, porque seu cérebro vem se desenvolvendo desde o cérebro primitivo do peixe, seguindo o ramo dos mamíferos, depois o dos grandes primatas e finalmente o dos seres humanos – os mais complexos e os mais conscientes seres vivos da Terra.

Lei Complementar: “Cerebralização-Individuação”

À medida em que a Evolução progride, desde os primeiros seres vivos, existe também o desenvolvimento cerebral, seguindo o grau de complexidade até o aparecimento do Homem.

No entanto, desde que o Homem reina sobre a Natureza – em busca da satisfação de suas necessidades – sua mente e seu cérebro não pararam de evoluir. O homem de hoje tem o cérebro muito mais desenvolvido do que o homem primitivo, estruturalmente e intelectualmente. Teilhard fez um desenho da evolução do cérebro humano, partindo dos homens primitivos até o cérebro do Homo Sapiens. Em seu livro O Grupo Zoológico Humano, que salienta esse fato, estuda a escala segundo a qual o Homem evoluiu através das Idades. E ele marcou a expansão dos homens primitivos pelo mundo, primeiro em uma direção dispersiva e depois, com o aparecimento do Homo Sapiens, com uma tendência aglomerativa, em um movimento de socialização.

A socialização conduziu o Homem a uma etapa posterior, quando o intercâmbio da experiência e o apelo da civilização o tornaram mais consciente de si mesmo e sua mente se tornou mais e mais complexa, fazendo-o sentir a necessidade de interiorização, para fazer face às vicissitudes da civilização moderna. Então, estruturalmente e conscientemente, ele sofreu um processo de cerebralização que, conforme a lei geral de complexidade-consciência, tornou-se a “lei” complementar de Cerebralização-Individuação e, segundo a grande linha da Evolução, um mundo que se recurva sobre si mesmo. O Homem busca sua individualidade em meio à multidão de homens civilizados, como ele próprio. O Homem de hoje procura sua identidade, única e insubstituível.

Lei Resultante: “Tudo o que Sobe, Converge”.

Teilhard de Chardin sempre analisou o exterior das coisas e o interior delas. Ele salientou que todo o mundo material, como o vemos, tem um interior e encontramos esse ponto de vista em seu livro O Coração da Matéria.

O que observamos em sua obra é uma surpreendente unidade de visão, que compreende todos os aspectos evolucionários, mesmo na pequenez de uma pedra, ou na imensidão das galáxias. O que dizer sobre o grande fenômeno humano? Toda a Evolução segue a mesma linha de ação, desde o microcosmos até o macrocosmos. A tendência da Árvore da Vida é inclinar-se sobre si mesma, como o mundo e como o Homem.

A etapa humana segue essa linha, com a Cerebralização-Individuação. E com a Individuação, nós chegamos ao pensamento do homem. Mas quando Teilhard fala sobre o pensamento do homem, ele nos apresenta uma nova etapa evolucionária e um novo fenômeno abstrato, invisível, mas coerente, a Noosfera, uma camada acima da Biosfera, na qual nós vivemos e respiramos, formada pelo Pensamento Humano, a qual ele chama de A Alma da Terra.

Parece que nós já estamos no Meio Divino, e nessa etapa, a Noosfera segue a linha inteira da Evolução, a qual é uma curvatura feita pelo pensamento humano em si, alcançando a mesma curvatura nessa camada acima da Biosfera. E essa curvatura é a soma de todo o pensamento humano, unificando e convergindo no fim, no mesmo lugar. Tudo o que sobe, converge.

Noogênese e Noosfera

A Noosfera não data da Terra Juvenil onde os primeiros animais viviam com as plantas, árvores e os oceanos, anteriores em Idade, sendo o primeiro berço da Vida, o primeiro ambiente no qual as criaturas do mar começaram a viver. Somente depois do aparecimento do Homem sobre a Terra, a Noogênese começou a existir. O termo Noogênese vem da palavra grega noos=mente e Teilhard empregou esse termo para descrever o nascimento da mente humana. Quando o Homem deu o Passo da Reflexão e tornou-se consciente de si mesmo, começou a pensar de um modo reflexivo.

Há momentos em que tenho a impressão de ser um desses passarinhos que se vê turbilhonar com um vento forte. As forças espirituais são de um poder e de um mistério ainda maiores do que as forças da Matéria.” (Carta a um amigo)

Então, a Noosfera começou a existir, como um resultado do pensamento humano, mas era um pensamento primitivo, uma reflexão primitiva, isolada como os primeiros homens que viveram até a socialização posterior. Por essa razão, Teilhard usou a palavra Noogênese.

A Noosfera é o estágio de crescimento da Noogênese, a qual acompanhou o crescimento do Homem na Natureza e, quando os homens alcançaram a etapa de Socialização, ela se alimentou com o pensamento humano, sob as mesmas leis da Evolução.

Agora, se realmente estivermos no Meio Divino, a Noosfera deve ser formada com todo o pensamento moderno e o extraordinário progresso da tecnologia, refletindo as tendências atuais. E hoje, nós podemos pensar na Noosfera como um meio de comunicação espiritual, acima da mente e da frequência de ondas da tecnologia avançada. Não um meio de conexão cerebral, mas muito mais do que isso, um meio de unificar a conexão espiritual entre todos os povos.

O Sentido da Evolução

Há uma necessidade de conceber um Criador inteligente para criar seres inteligentes e não o conceito de uma sequencia espontânea de mutações aleatórias, com a sobrevivência dos mais aptos, como a visão de Darwin.

Pela aceitação de um Deus de Amor, que coroou a Evolução com a aurora do Homem, à Sua imagem e semelhança – como os cristãos acreditam -, pode-se admitir, automaticamente, um sentido para a Evolução, ainda misterioso para nós, mas o qual estaria guiando as etapas evolucionárias desde o princípio dos tempos. Podemos supôr que esse Deus tenha um propósito perfeito para o final dos tempos, se a Humanidade não destruir o planeta antes da consumação final n’Ele.

As Duas Saídas para o Mundo Terrestre

Teilhard previu duas saídas para a Terra e sua população, uma otimista e outra pessimista: o Pleroma (palavra empregada por São Paulo) do Amor de Cristo em Sua glória, ligando os dois pontos – Alfa e Omega -, ou a Entropia, o caos total, dependendo da utilização, pela Humanidade, do Meio Divino.

O Meio Divino sonhado por Teilhard de Chardin era exatamente como a Idade Moderna do século XX, com uma proliferação de Ciências e Igrejas, e um grande progresso de tecnologias, as quais servem aos homens através de meios de comunicação mais rápidos, que lhes permitem comunicar-se entre si e unir os mais remotos povos pelas ondas da Internet. Mas parece ser nossa a tarefa de fazer bom uso dela, para preparar as futuras gerações, nascidas nas ideias materialistas de nosso século, tendo fácil acesso ao hardware material para tomar parte na Rede, para que não encarem a Internet como a verdadeira Noosfera, que está bem acima da Biosfera e da Atmosfera.

Como conclusão, creio que já estamos no Meio Divino e a Internet é um de nossos meios de comunicação, fazendo deste mundo uma aldeia global – citando a expressão de alguém, bem aplicada -, mas nosso objetivo deve ser visar um estágio ideal para nós mesmos e tentar reconduzir todos os homens a uma comunhão espiritual, em um caminho de Paz e Esperança de um futuro melhor, semeando nossa estrada como precursores para a consumação do prometido Pleroma. (Rio de Janeiro, 24 de novembro de 1997).

  1. #1 por Reinaldo Gomes Cutaia em 17 de outubro de 2014 - 13:20

    Interiorizar a harmonia do cosmos e da Natureza, ilustrando na especialização humana. Pôs que este não limita-se em algumas comunidades, mas sim, conduzidas aos seres, proporcionando instintos diversos, familiarizando-se com este fenômeno. Por este critério brilha-nos um presente na continuidade cônscio desta condução. Devemos lidar com os conhecimentos do saber em poucas palavras, frases e considerações dos acontecimentos em si que materializam factos do enquadramento imediato dos seres de comunidade a comunidade.

  2. #2 por Reinaldo Gomes Cutaia em 17 de outubro de 2014 - 14:06

    Os seres em si na Natureza representam-se como um corpo, não sendo pelas nomenclaturas que lhes são classificadas ou denominadas. Pôs que os seus instintos são interiorizações pela condução deste fenômeno. Há, esta percepção do presente e continua familiarização.

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