O PAI NOSSO com Teilhard de Chardin

Ressurreição de Cristo (Grünewal)

PAI,
que tiraste do nada o Universo e o encheste com o Teu sopro, fizeste com que, desde as minúsculas partículas até ao homem, tudo procurasse unir-se pela tua força de atração e convergir para o polo que incendeia o mundo, Cristo, o Ponto Omega.

NOSSO,
porque somos irmãos do Teu Filho, Jesus Cristo, a quem confiaste toda a Criação e se tornou Homem, como nós, para conosco selar a Eterna Aliança, pensada desde todos os tempos, pela qual Tu quiseste que o Homem fosse Deus.

QUE ESTÁS NO CÉU,
que não é lugar nenhum, porque o lugar que ocupas é o infinito sem espaço nem tempo; mas é antes o Teu pensamento, o Teu plano de Pai, abrindo os braços para neles receberes tudo o que para Ti converge por Amor.

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME,
o Teu nome é Pai, e é santificado quando nós, Teus filhos, por ele chamamos, absolutamente confiantes que Tu nos escutas.

VENHA A NÓS O TEU REINO,
que é tudo o que se está criando a cada instante, no Universo e em cada um de nós, pelo esforço e pelo amor; ele virá a nós se construirmos, com Cristo e para Cristo, o seu Corpo Místico, feito de todos nós e de toda a Terra.

SEJA FEITA A TUA VONTADE,
a Tua vontade que, pela Tua graça, nos ajudas a descobrir em cada instante, é a Santa Evolução; e que, pelo bem supremo que deste à humanidade, a liberdade, podemos amar ou recusar.

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
aqui, na terra, o lugar de o homem realizar a Tua vontade, quando a ama e reconhece como única via de felicidade, para que o Teu plano, traçado no céu, assim se cumpra.

O PÃO NOSSO DE CADA DIA
que o homem faz com as suas mãos, usando tudo o que vê desenvolver-se sobre a terra, e que a sua inteligência reflexiva valoriza e faz progredir irreversivelmente;

DÁ-NOS HOJE,
mas que é também a graça, Pai, que Tu nos dás e sem a qual somos incapazes de distinguir o verdadeiro alcance do nosso labor, o sentido do pão que é para todos.

PERDOAI-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS,
sobretudo quando, ao tatearmos os caminhos, aprendemos a distinguir o mal do bem, e acabamos por fazer a escolha errada.

ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS AOS NOSSOS DEVEDORES
e como é difícil este mandamento, como a todo o momento nós esquecemos que amar é dar, é dar sempre (que é o que quer dizer per-donare); é dar a quem não dá, percebendo as razões desse não dar.

E NÃO NOS DEIXES CAIR EM TENTAÇÃO
sendo a maior de todas, a recusa: recusa de com os outros construir, recusa de amar, recusa de perdoar, recusa de Te escutar.

MAS, LIVRA-NOS DO MAL
do mal que vem de fora, os cataclismos, as violências, as doenças, que vamos aprendendo a dominar, mas que nos arrasam e nos destroem, que podem nos impedir de progredir material e espiritualmente; e do mal que vem do nosso coração,  a recusa do outro, o desânimo,  a intolerância, a impaciência; em todos os casos,  livra-nos da perturbação. AMÉM.

Texto de António Paixão
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