IMAGENS DE DEUS NA PÓS-MODERNIDADE

J. B. Libanio

Introdução

A experiência de Deus é transcendente. Ele é o mistério dos mistérios. É o abismo insondável. Os seres humanos de todos os tempos aproximam-se dele com temor e fascínio na sua pequenez. Intrigados buscam responder a pergunta: quem é Deus? Ora recorrem a conceitos, ora a imagens. Os conceitos são mais precisos, mas frios. As imagens são mais bonitas, mas menos exatas.

Aqui lançaremos mão das imagens. Selecionaremos algumas que parecem corresponder mais à maneira de perceber das pessoas nesses tempos de pós-modernidade. Trabalho de escolha com o risco próprio das seleções. Depende muito da perspectiva e interesse de quem escolhe.

Vivemos um momento paradoxal. A pós-modernidade anuncia o fim das grandes narrativas. Não confia no processo de conhecimento das teorias complexivas. Desagrada-se dos sistemas teológicos. Prefere os relatos curtos.

No entanto, surge a pretensão de novas grandes narrativas. A cosmologia moderna, as ciências da vida, uma visão holística da realidade alimentam ambição de fazer uma leitura de totalidade em contraposição à pós-modernidade fragmentadora.

As imagens de Deus vivem tal paradoxo. Ora privatizam-se ao extremo, multiplicando-se segundo o sabor dos indivíduos, ora apresentam-se totalizantes. E é do lado das ciências que vem uma primeira imagem com pretensões de totalidade.

I. Deus das ciências modernas

1. Modelo de um Deus evolvente: a metáfora da evolução

Não se trata de discutir os fundamentos científicos que inspiraram essa imagem de Deus. Ultrapassar-nos-ia de longe a competência. O interesse é unicamente teológico. Essa imagem surge de escritos do cientista A. Tipler ( ). Ele prefere usar o termo “modelo” no sentido de figura (picture) simplificada expressa em símbolos matemáticos cujos traços essenciais, julga-se que correspondam à realidade.

Na base está o pressuposto ontológico de que Deus cria mundo e é criado por ele. Usa o conceito “evolver” para exprimir a mudança no tempo em direção a um ponto final. Chama-o de “Ponto ômega”. No nível básico, tudo o que existe é físico. O nosso universo é o único logicamente possível por razão matemática, já que nele se encontra a solução única de equações da física.

Há identidade ontológica entre Deus e mundo, embora intervenha uma diversidade de perspectiva. Por isso, o reducionismo ontológico não implica nenhum reducionismo epistemológico. A. Tipler diz que sua posição não é panteísmo, visto que Deus e o mundo físico não são duas palavras para a mesma coisa.

Na explicitação de sua teoria, parte do axioma de que o mundo só tem sentido se houver vida nele. Mais: só há ética, valor e sentido onde há vida. Só tem sentido falar da persistência do Universo, se aí a vida continuar a existir. As leis da física permitem a existência continuada da vida. Ela evolui para um ponto limite: o Ponto Omega.

Numa perspectiva evolucionista, alimentada pelos dados da ciência, o último sentido do Universo físico encontra-se na perpetuação da vida. Vida é a forma de processar informação em todos os níveis. O contrário, porém, não é verdade. O processamento de informação prosseguirá até o limite futuro do Universo, ie. o final do tempo. O acúmulo de informação processado entre agora e este limite futuro é infinito na região de tempo e espaço com a qual o mundo pode comunicar-se. Infinito deve ser entendido no sentido matemático e não metafísico. O conjunto de informação armazenado em qualquer dado momento pode ir até o infinito quando a temperatura final se aproxima de zero.

Pois a energia usada na produção de cada conhecimento aumenta quanto mais decresce a temperatura. Portanto, o processo de informação tende para um Ponto Omega infinito, já que, quando a temperatura se aproximar de zero, a energia se eleva a grau infinito para armazenar informação, isto é, VIDA.

O Ponto Ômega é a plenificação do tempo e do espaço. Já não está nem no tempo nem no espaço. Ou melhor, é todos os espaços e tempos juntos ou sua transcendência. É, ao mesmo tempo, transcendente e imanente.

Daí surge a imagem de um “Deus evolvente”, do contrário ele seria inútil. É um Deus onipresente, pois perto do Ponto Omega a vida deve ter estendido suas operações tanto a ponto de engolfar todo o cosmos físico. As operações de processamento de informação chegaram ao infinito. É um Deus onipotente, visto que perto do Ponto Omega – estágio final – a vida coletivamente ganha controle de toda a matéria e fontes de energia disponíveis. O controle se torna total no Ponto Omega. Pode-se dizer que a vida se torna onipotente no instante em que se atinge o Ponto Omega. É um Deus onisciente, já que a informação armazenada se torna infinita no Ponto Omega. Ele sabe tudo o que é possível saber a respeito do Universo físico.

D. Lambert observa que A. Tipler “concebe o estádio último da história do Universo como a realização de um “Physical God”, compreendido simplesmente como um modo de organização da matéria permitindo o tratamento de uma informação (semelhantemente a um computador) por meio da energia gravitacional…Deus já não é mais Deus, mas uma espécie de modo último da evolução da matéria” ( ).

Numa palavra, é uma imagem de Deus que pode conduzir à negação de Deus. Manifesta a gigantesca pretensão de desvendar totalmente o mistério de Deus. Realiza-se então, o que por outra via, afirma S Hawking: ”se descobrirmos uma teoria completa, ela deveria um dia ser compreensível nas suas grandes linhas por todo o mundo, e não por um punhado de cientistas. Então, nós todos, filósofos, cientistas e mesmo pessoal da rua, seremos capazes de tomar parte na discussão sobre a questão de saber porque o Universo e nós existimos. Se nós encontrarmos a resposta a esta questão, será o triunfo último da razão humana – nesse momento, conheceremos o pensamento de Deus” ( ).

2. Deus da metáfora quântica:

Migrando das macrodimensões da astrofísica para as minúsculas realidades quânticas, eis que emerge outra imagem de Deus, ainda no mundo científico. Nesse universo das micropartículas reina o princípio da indeterminação, da incerteza de W. Heisenberg. Há na microfísica um limite de precisão teoricamente insuperável. O ato de medida afeta o fenômeno observado. Na determinação da trajetória de um fóton, é impossível medir-lhe a posição e velocidade em instantes sucessivos. O recurso técnico-científico, que permite observar com maior exatidão a posição, restringe a exatidão no conhecimento da velocidade e vice-versa.

A teoria quântica abala a concepção causal, determinista da realidade. Revela-nos uma natureza cheia de surpresas a escapar-se de nossas previsões exatas. Instala o imprevisível, o inesperado, o fenômeno sem causa como norma e não simplesmente como limite a ser superado.

Ela abre-nos para uma compreensão das correlações não-locais. Os sistemas quânticos, uma vez unidos, permanecem fortemente co-relacionados, menos que por conexão mecânica, mas mais que por coincidência numérica ou ilusão ótica. Cada uma das partes contém a Totalidade. Cada região do espaço, por menor que seja – até um fóton – contém a configuração do conjunto. A experiência do pêndulo de Foucault (1851) mostra como seu movimento era determinado não pelo simples movimento da Terra, mas do Universo no seu conjunto. Se levanto um simples copo, coloco em jogo forças que implicam o Universo inteiro ( ). Tudo o que se passa em nosso minúsculo planeta está em relação com a imensidão cósmica, como se cada parte contivesse em si a totalidade do Universo. Interação misteriosa entre todos os átomos do Universo e que o une numa única totalidade. O todo e a parte são uma única e mesma coisa. O holograma é a grande prova.

Nesse universo rege o princípio da complementaridade. A ocorrência inevitável de modelos contraditórios na teoria física, considerados simultaneamente exatos e coexistentes, leva ao fim do dualismo cartesiano entre matéria e espírito. Um e outro são elementos complementares de uma única e mesma realidade. A vida e a consciência são fundamento universal que une a matéria. Para traduzir tal nova compreensão filosófica, J. Guitton forja a expressão: “metarrealismo”.

Qual é a imagem de Deus que brota da física quântica? Aparece mais claramente a ação imprevisível do Espírito de Deus, o aspecto não cognitivo e escondido de Deus. Já não mais por ignorância, como antigamente, mas como resultado da teoria quântica, inscrita na lei da natureza. Deus revela-se a unidade de opostos, renunciando-se a pretensão de desvendar as oposições em Deus. Ele está na origem de tal natureza com suas leis, inclusive quânticas. Deus está envolvido com a evolução do universo, criando novos e emergentes níveis de organização por meio de processos abertos, estatísticos, incluindo a indeterminação quântica, a irreversibilidade termodinâmica e a evolução biológica. É a imagem de um Deus que joga dados mais do que de um relojoeiro ( ).

Vale recordar uma afirmação de Teilhard de Chardin, citada por J. Guitton: “Em cada partícula, cada átomo, cada molécula, cada célula de matéria, vivem escondidas e atuam, incógnitas, a onisciência do eterno e a onipotência do infinito”.

Nesta perspectiva, H. Pagels formula seu credo: “Creio que o Universo é uma mensagem redigida num código secreto, um código cósmico, e que a tarefa do cientista consiste em decifrar este código”. Numa palavra, o Universo é uma mensagem expressa em código secreto, hieróglifo cósmico que começamos a decifrar. Deus é o criador desse maravilhoso “software”.

Assim desembocamos no princípio de um Universo sem descontinuidade, holisticamente ordenado: tudo reflete todo o resto. – conquista da teoria quântica – “todos esses objetos que identificamos como partes contém em si a totalidade oculta: poeiras cósmicas e átomos de Deus, todos nós seguramos o infinito no côncavo de nossa mão” ( ).

II. Imagens cristãs de Deus em diálogo com as ciências

A modernidade científica questionou as imagens tradicionais de Deus. O fato da evolução foi decisivo nesse confronto. K. Rahner e Teilhard de Chardin, por caminhos diferentes, pensaram uma intelecção de Deus que desse conta do processo evolutivo.

1. Deus na origem da autotranscendência: K. Rahner

K. Rahner parte do fato da Encarnação e do fato da evolução. Levanta a pergunta transcendental: qual é a condição de possibilidade da Encarnação numa concepção evolucionista do universo? Ao responder essa questão nos oferece uma imagem de Deus, Espírito presente no processo evolutivo, possibilitando-o.
A matéria termina no espírito. O homem é a tomada de consciência de tal evolução. Isso só é possível se há uma autotranscendência da matéria. A matéria só é autotranscendente, se a Plenitude absoluta do Ser se torna interna a ela, impulsiona-a para sua própria perfeição última, sua plenificação. Deus capacita o ser finito de autotranscender real e ativamente. A autotranscendência é, pois, um dinamismo interno ao ser criado, fazendo-o evolver para um estágio superior por um processo que se realiza, não pela força do “nada”, mas pela presença interna, ativa e real da Plenitude absoluta do Ser: DEUS. Presença distinta do ser criado que se move. Não lhe pertence de maneira constitutiva. É uma entrega de Deus ao ser criado pensado como possibilidade de uma comunicação maior à liberdade de ser humano. Por isso, o processo da autotranscendência termina no homem. E numa perspectiva da teologia da Encarnação, essa humanidade se abre à união hipostática do Verbo. Deus é o fundamento e horizonte transcendental de todo esse processo evolutivo ( ).

É a imagem de um Deus presidindo, impulsionando, movendo o processo evolutivo da matéria, pensado como uma autotranscendência a terminar no mistério da Encarnação e glorificação da humanidade pela ressurreição.

2. Deus Ponto Omega: Teilhard de Chardin

Partindo também duma perspectiva evolucionista, Teilhard de Chardin faz uma pergunta diferente da de K. Rahner. O teólogo alemão trabalha a pergunta transcendental numa perspectiva antropológica. O ser humano é o lugar de revelação da direção do processo evolutivo. Ele atinge sua plena realização no mistério da Encarnação. Teilhard faz outra pergunta. Qual é o sentido teológico desse dado da ciência. Ao respondê-la, delineia uma imagem de Deus como Ponto Ômega, num sentido também bem diferente do de A. Tipler.

Teilhard exprime sua intuição fundante num de seus escritos bem antigos.

“A princípio fiquei impressionado, como qualquer um, pela espécie de prioridade de que gozam nos acontecimentos o Inferior e o Passado. Em seguida, sob pena de não compreender nada em mim mesmo e nem ao meu redor, foi-me necessário, mudando de perspectiva, atribuir toda eminência ao Futuro e ao Maior.
“O que dá consistência ao Universo à nossa volta, creio eu, não é a aparente solidez dos materiais efêmeros com que se constróem os corpos. Mas é a chama de organização que, desde a origem, perpassa o mundo e nele se propaga. O mundo, com todo o seu peso, leva a um centro colocado diante de si. Longe de serem frágeis e acidentais, são as almas, as alianças de almas, as potências de almas, que sozinhas progridem infalivelmente e sozinhas devem perdurar. O que é impossível ao Mundo é mais do que aquilo que nele podemos tocar….Crede no espírito” ( )…

Em outro lugar escreve:

“O que há de mais revolucionário, em última análise, e de mais fecundo em nosso Tempo novo, é a relação que este deixa transparecer entre Matéria e Espírito: o Espírito não independe mais da Matéria nem se opõe a ela, – (a menos, naturalmente, que por ‘Matéria’ se entenda, num sentido ‘reduplicativo’ e restrito, esta porção do Universo que ‘desce de novo’ escapando à corrente montante da Noogênese), – mas emerge laboriosamente dela sob a atração de Deus por via de síntese e de centração” ( ).

A concepção evolucionista de Teilhard é dinâmica e existencial. O mundo está sempre em mudança, em ascensão “espiral” para uma meta determinada. Evolui numa direção pessoal, tendo como pontos centrais o aparecimento da pessoa humana e a união da humanidade com o Cristo pessoal no fim dos tempos. O universo constitui um único todo coerente em evolução. Único e vasto corpo cujas componentes são solidárias entre si. Proveio de uma única e mesma energia primitiva de natureza psíquica ou espiritual de caráter ambivalente. Tem dupla potencialidade. Há a energia tangencial que é o aspecto material das coisas. Por ela os átomos, moléculas se ligam entre si enquanto são da mesma ordem. Há a energia radial que é a força psíquica. No seio da matéria, leva-a à construção de elementos mais complexos e, por isso, à constituição de formas novas (átomos em moléculas, moléculas em mega-moléculas, etc).

Desta ambivalência da energia primeira resulta que toda matéria é portadora de consciência e psiquismo. Existem graus diversos de consciência nas diversas camadas da criação, nos diferentes níveis dos seres. Matéria e consciência evoluem seguindo a lei de complexidade-consciência. Cada grão de matéria inclui energia psíquica. Quanto mais complexas forem as estruturas das construções materiais tanto mais quantidade e qualidade de consciência.

Nessa perspectiva, emerge a imagem de Deus como Ponto Ômega de um longo processo de amorização. Passa-se do mundo estático do Deus da ordem, de cima, da contemplação estática para o Deus do futuro, do Para-frente (Dieu d’en avant). A convergência na amorização se realiza sob a influência de um pólo de atração universal que se acha colocado no termo da evolução, seu ativador, o Ponto culminante Omega. Ele corresponde à Consciência Suprema. É Transcendente, soberanamente personalizado, é o Amor Absoluto, a totalização, a suprema personalização, a suma centração da humanidade, energia radial máxima. É Cristo, é Deus. Ponto de convergência da evolução, do mundo rumo ao futuro no qual todos se amam, tudo se encontra, conheça ou não o Cristo. Traz em si potencialmente a possibilidade da conciliação da visão cristã com a visão evolucionista do universo. Ponto nodal de articulações das fases da evolução.

Portanto, a representação científica do universo nos apresenta uma estrutura convergente. Deus, sendo pensado neste esquema, surge como último ponto de convergência ( ).

É a imagem de um Deus prospectivo que coroa, consuma a evolução e surge como centro de convergência do universo. Não é extrinsecista, como a tradicional, nem também simplesmente evolucionista imanentista, mas evolucionista transcendente, “en avant avec Dieu en haut”.

III. Deus das experiências religiosas e neopagão

a. Nova era

À primeira vista, esta é a imagem que mais corresponde à pós-modernidade. Elabora-se no clima da Nova Era. Emerge no interior de vasta floração de religiões, de movimentos religiosos e semi-religiosos, da busca e promessa de sentido, de gnose religiosa.

“A era de um mundo aberto, e de um eu capaz de desempenhar seu papel nessa mais ampla esfera do transcendente. Uma era de renovação na qual o trabalho e o ócio, a instrução e o amor, se uniram para produzir uma nova forma para cada etapa da vida, e uma mais elevada trajetória para a vida entendida como um todo” ( ).

A Nova Era apresenta como tempo de felicidade fácil para todos, como nunca houve antes ( ).Já não se alcança através de luta política, difícil, nem por obra de um Ser transcendente, mas por obra da posição do sol ( ).

“Quando a lua estiver em sua sétima casa e Júpiter se aproximar de Marte, então a paz guiará os planetas e o amor dirigirá as estrelas. Será a aurora da era de Aquário! Harmonia e inteligência, solidariedade e paz infinitas…” ( )..

Vive-se uma nova consciência planetária da unidade da comunidade humana, uma nova sociedade de paz, uma nova espiritualidade de alta sensibilidade. Nova era de amor, concórdia, luz, verdadeira libertação do espírito. Numa palavra, Nova Era de harmonia, paz, amor para toda a humanidade, das pessoas dentro de si, com outros, com o cosmos, com o mundo divino.

Daí surge a imagem de um Deus que é mais adjetivo que substantivo. Difere do Deus pessoal, criador, distinto das criaturas da tradição bíblico-cristã. Aproxima-se da visão oriental de um Deus espírito imanente, grande alma, fluido, energia.

Imagem antes materna, imanente de Deus, que tudo sustenta e invade com sua energia. “Somos todos parte do divino. Deus está em cada um de nós. Não há separação entre Deus e nós” (Shirley MacLaine).

O divino se funde ao cosmos, ao Si profundo que habita no homem. Une-se à percepção de uma energia universal, ao Oceano do ser atingível pela meditação. Concepção monista, panteísta e não dual em relação ao criado. Nela se volta ao “primordial”, ao “indiferenciado”, negando a história, não valorizando a separação, divisão, alteridade. O divino perde a identidade ( ).

Fala-se de uma Unidade do Todo, de uma Energia espiritual e material onipresente, tanto numa perspectiva cósmica como psicológica. O divino está presente na matéria e evolui com ela. A relação com a Divindade se faz por níveis de consciência. Trata-se de uma transcendência centrada no verdadeiro Eu. Temos dentro o Mestre interior. O acesso a ele se faz por técnicas físico-espirituais. A experiência do divino se alcança sem mediações sagradas – Igreja, dogma – mas por níveis de consciência, abrindo-se ao divino que habita o nosso interior.

“Faze, pela manhã e pela tarde, vinte minutos de meditação sobre o oceano do Ser, que está no teu profundo e adere, depois, à religião em que acreditas” ( ).

“Enquanto desfrutava da bela paisagem costeira…., a beleza do lugar me fez ter acesso a um nível superior de compreensão; então encontrei-me com o Amor, com o Pai-Mãe Amor que habita em mim, em todos e em tudo…Senti pela primeira vez a alegria da liberdade, porque ao descobrir, ao experimentar que Deus habita em mim e que em certa forma Ele e eu somos um, soube que em mim mesmo estava a fonte de todo conhecimento; em mim estavam todas as verdades, não mais nos livros, não mais em mestres externos, já não mais. Assim nasci para uma vida nova” ( ).

b. Neopaganismo

Numa perspectiva semelhante, o neopaganismo oferece também uma imagem de Deus. É um paganismo pós-cristão que se defronta criticamente com a cultura judeu-cristã. Situação inversa ao confronto do judaísmo e cristianismo com o paganismo antigo.

Já não se trata da imagem de Deus, mas de deuses. Eles exprimem uma reação à intransigência do monoteísmo, considerado pernicioso, destruidor da civilização. perturbador da ordem cívica, conduzindo o mundo ao caos das insurreições e tiranias. Vêem nele o responsável pelo totalitarismo, coletivismo, ao espalhar o princípio da igualdade, laicizado pelas revoluções e marxismos. Está na base do universalismo abstrato que uniformiza as pessoas, culturas.

Os “novos deuses” querem valorizar a natureza, despertar a alegria de viver, afugentar a “sinistrose” alimentada pela esquerda, não sem inspiração judeu-cristã. Retornam à concepção cíclica da história, recuperando as velhas crenças na reencarnação.

Esse neopaganismo recupera o lado da religião, que o Cristianismo moderno encurtou. Alia-se ao gnosticismo, estoicismo. Tem seu braço feminista na recuperação das deusas. Reativa tradições pagãs, costumes populares para ritmar os trabalhos diários, os dias, a coesão das famílias, das cidadezinhas. Produz o ressurgimento de religiões antigas indoeuropéias, célticas, germânicas e outras. Pululam práticas neopagãs das religiões arcaicas: magia, bruxaria, satanismo. Fazem-se – celebrações de solstício, toast à saúde do Deus Thor, funerais em que os assistentes formam uma cadeia de força em se passando a taça de hidromel ( ).Volta-se para o Norte de onde vieram os bárbaros hierárquicos e poéticos: Celtas, Vikings, Germanos. Valoriza-se a civilização que vem do frio ( ).

Por outro lado, encontra-se o panteísmo cósmico: comunhão com natureza, a Terra-Mãe, identificada com Deus. É uma busca religiosa sob a forma de um Todo indiferenciado.

O neopaganismo explora a dimensão psico-terapêutica da religião. É a imagem de um Deus terapeuta que consola, cura o interior das pessoas. Tem a dupla face de consolador dos desesperados por problemas materiais ou espirituais e de fonte de prazer, de gozo para os de bem com a vida não necessariamente numa perspectiva hedonista, mas estóica. O neopaganismo oferece uma sabedoria de viver. A vida é boa, pode-se ser feliz sem Cristianismo. A felicidade reside em realizar a vida na sua integridade, vivendo os pequenos prazeres passageiros, apesar dos sofrimentos. Malgrado todas as penas, vale a pena viver. A terra é bela, florescente, esplêndida. Os momentos de alegria são suficientes para justificar a dor da terra sem necessidade do além. Trata-se de saber administrar o que a natureza concedeu na medida das próprias possibilidades. Numa palavra, é o Deus estóico, da ética humana, sem transcendência além da imanência. A transcendência se realiza na imanência ( ).

O retorno aos deuses e deusas não significa a idolatria clássica. “As deusas e os deuses mitológicos”, observa L. Boff, “não devem ser considerados como existentes em si mesmos, seres substanciais e independentes de nossa existência. Configuram arquétipos do inconsciente coletivo, vale dizer, centros de grande energia e significação, que somente através da linguagem dos heróis e das heroínas, dos deuses e das deusas podem ser expressos adequadamente. São figuras carregadas de emoção, feitas referências paradigmáticas e inspirações mobilizadoras para os comportamentos humanos” ( ).

IV. Deus cristão no mundo religioso

Que imagem de Deus numa perspectiva cristã pode responder à imagem do “Deus religioso” da Nova Era ou do neopaganismo teorizado ou mesmo de ambientes religiosos culturalmente cristãos?

O movimento religioso atual projeta uma imagem de Deus mais como qualidade do que pessoa, mais como clima do que sujeito, mais como sensação do que diálogo. Exprime antes o desejo que o ser humano tem do divino do que aquilo que Deus se revelou de si. Pertence mais ao mundo da natureza do que ao da história.

Encontramo-nos diante de um fenômeno pré-cristão, neopagão, em termos teológicos, embora não históricos, nem apologéticos. Vive-se uma dimensão humana religiosa que pode ser evangelizada pela compreensão cristã de Deus.

Esse contexto encontra alguma analogia com a situação de Jesus diante do judaísmo e do Cristianismo antigo diante do paganismo. O judaísmo era a religião do povo de Jesus. Sob muitos aspectos era vivida numa prática de obras, que se aproximavam de atitudes pagãs. Jesus mesmo alude a essa semelhança no referente a amar na espera de resposta, ou a saudar só amigos (Mt 5, 46s) ou a rezar com muitas palavras (Mt 6,7). Jesus evangeliza o judaísmo apresentando outra imagem de Deus.

O Cristianismo antigo também assume muitas formas religiosas pagãs. Preocupa-se, porém, em mostrar sua originalidade tanto no modo de exprimir a fé quanto na prática. A elaboração da teologia trinitária exprimiu esse esforço de apresentar a originalidade da fé cristã. O belíssimo livro da Carta a Diogneto reflete a preocupação de uma conduta cristã em confronto com o procedimento pagão.

A maneira de anunciar a Deus na pós-modernidade implica esse duplo esforço doutrinal e prático. Ou mais exatamente uma concepção doutrinal de Deus que envolve uma práxis bem definida e uma práxis que reflete uma compreensão de Deus.

Um primeiro passo é evitar os dois extremos do panteísmo e do teísmo. O primeiro não distingue Deus do cosmos. O outro isola-o do processo cósmico. No primeiro caso, o mundo emana da substância divina. No segundo, Deus é como grande arquiteto que criou o mundo e afastou-se, deixando-o entregue a si mesmo. Deus ao lado do mundo. A nova imagem de Deus tenta pensar concretamente uma presença de Deus no mundo. Recorre-se ao termo “panenteísmo”. D. Lambert refere-se à definição de panenteísmo dada por Mons. Joseph Zycinski, um dos grandes especialistas da relação ciência e fé: “Um ponto de vista filosófico que aceita a presença de Deus na natureza e, ao mesmo tempo, a transcendência de Deus em relação ao mundo” ( ).

J. Moltmann , numa perspectiva ecológica, desenvolve tal perspectiva. Diz claramente que “uma doutrina ecológica da criação implica um novo jeito de pensar sobre Deus” ( ). Propugna uma nova compreensão da imanência de Deus no mundo. “O Deus criador do céu e da terra está presente em cada uma de suas criaturas e na comunhão da criação através de seu Espírito cósmico. ‘A presença de Deus penetra todo o universo’. Deus não é somente o criador do mundo, mas também o Espírito do universo. Através das forças e das possibilidades do Espírito, o criador faz morada em suas criaturas, vivifica-as, mantém-nas na sua existência e as conduz para o futuro do seu Reino. Neste sentido, a história da criação é a história dos efeitos do Espírito divino” ( ).

Deus cria por meio do Filho e pela força do Espírito o mundo e, ao mesmo tempo, habita-o. A criação é um chamado do Deus infinito que não deixa sua criatura desligada de si, mas mantém com ela uma relação permanente. É-lhe intimo. Tudo vive da força criadora de Deus. Deus cria o mundo entregando-se ao mundo numa relação íntima com as coisas, em diálogo de amor com o ser humano até a união com a natureza humana na unidade da pessoa do Logos.

D. Lambert alerta-nos para evitar toda compreensão gnóstica dessa relação de Deus com a criação, espiritualizando a matéria. A presença máxima da imanência de Deus se dá no coração do homem e chega à plenitude no mistério da Encarnação. E tal imanência de Deus aparece na sabedoria, na inteligência, na ordem existente no mundo, já que o mundo procede da Sabedoria de Deus. Esta presença de Deus no mundo não lhe destrói a autonomia ( ).

A. Gesché formula uma nova tese sobre a causalidade divina ao dizer que Deus, como Causa, faz que as coisas se façam como elas se fazem”. Ele não cria as coisas sem mais nem também há uma autocriação delas. Cria-as respeitando-lhes a autonomia interna. Isso significa que as coisas gozam de uma causalidade própria, interna, que envolve leis imanentes, processos de autorregulação, invenção ( ). Toca às ciências lentamente descobri-las ao longo de seu processo de conhecimento.
D. Lambert retoma a noção de causa final, de causa das causas para exprimir tanto o fato criador de Deus como a autonomia das causas criadas ( ).

Respondendo ainda à vaguidade da imagem de Deus da Nova Era, a trindade nos fala da vida íntima comunitária de Deus. “No principio está a comunhão dos Três e não a solidão do Um” ( ). Todas as coisas são chamadas a ser comunhão, por serem criadas pelo Deus comunhão trinitária. E pelo mistério da Encarnação e pelo mistério pascal, tudo é presença de vida e morte. Mas toda morte termina na vida. E finalmente, pela força de Pentecostes, tudo está animado pelo Espírito.

V. Deus da pós-modernidade triunfante

O sistema capitalista está aí triunfante sob a forma neoliberal. De duas maneiras emerge dele uma nova imagem de Deus. Uma teologia neoconservadora americana faz apelo direto à imagem de Deus para salvar o capitalismo. Além disso, a própria natureza do sistema revela, no seu mais íntimo, uma estrutura religiosa.

Sob o primeiro aspecto, defrontamos com um diagnóstico da crise do sistema capitalista atual. A crise do sistema capitalista é de valores, de sentido. No fundo, religiosa. Por conseguinte, a solução virá também desse campo. E para isso, é necessário uma nova imagem de Deus para salvar o capitalismo nessa sua crise espiritual.

Aprofundando a análise da crise espiritual do capitalismo, os teólogos neoconservadores americanos observam que o capitalismo corre risco de ser destruído, já não mais pelo rival socialista, mas por suas próprias forças internas corrosivas. Estas minam os elementos constitutivos do sistema, suas reservas de sentido e valores. Tiram-lhe força e impulso moral ( ).

O sistema tecno-econômico, sustentáculo da sociedade capitalista, só funciona alimentado pelos valores do cálculo, rentabilidade, rendimento, eficácia, disciplina, ordem, hierarquia, espírito de trabalho, poupança, investimento. O sistema político-administrativo funda-se nos valores da preocupação pelo bem comum, do descentramento dos próprios interesses em bem dos demais, da solidariedade, do respeito à ordem legal, do funcionamento segundo procedimentos administrativos legais, da disciplina, da hierarquia. O sistema cultural dá sentido à vida individual e social. Aí a religião cumpre função relevante. O capitalismo, de fato, segundo a famosa tese de Weber, desenvolveu-se graças às qualidades cristãs.

A erosão da ética puritana, a queda da força da religião, a dessacralização e o desencantamento do mundo, o abandono da Transcendência por causa da modernidade e da autonomia da razão, o pós-modernismo, o paroxismo da liberdade autoexpressiva, o experimentalismo irrestrito, o relativismo valorativo, o hedonismo estão ameaçando a vitalidade de todo o sistema.

O remédio é criar uma nova imagem de Deus. Para isso, retornar e recuperar aos valores da religião cristã puritana. A religião é necessária para a saúde e bom funcionamento da ordem tecnoeconômica do sistema. Portanto, uma imagem de um Deus funcionalista. O Deus do neoconservadorismo é salvador do capitalismo, que põe normas à liberdade desregrada. É um regulador social, integrador social das gerações. Dá sentido à história, conserva as tradições, salva o indivíduo de sua solidão. Cria laços intermédios, comunidades, como sustentáculo das normas cívico-sociais. Numa palavra, um Deus do sistema capitalista.

Numa perspectiva crítica, um grupo de autores ligados à teologia latino-americana descreve a verdadeira concepção de Deus que se esconde por detrás do sistema capitalista. F. Hinkelammert elabora um pensamento teológico tomando como ponto de partida a análise político-econômica do fetichismo em Marx e em outras correntes sociais. Em seguida mostra o caráter teologicamente fetichista e idolátrico do sistema capitalista ( ). Na pegada desse pensamento, outros teólogos avançaram tal reflexão tentando mostrar a imagem de deus do capitalismo ( ). Este, na sua forma atual neoliberal, eleva o mercado à condição de ídolo ( ). No fundo, constrói-se verdadeira trindade do capital, do mercado e da livre iniciativa.

Assumindo a metáfora do Êxodo, o deus capitalista apresenta-se como o deus da “travessia do deserto”, deixando o Egito da intervenção estatal na economia rumo à Terra Prometida da economia de livre mercado, aberta, estável ( ). Tem também a imagem do deus vitorioso sobre o “deus fracassado” da economia de comando do socialismo ( ).

É um deus que exige sacrifícios em nome do progresso numa sociedade de acumulação ilimitada que satisfará todos os desejos humanos ( ). E, por sua vez, está disposto a sacrificar quem se opõe. Um deus que anuncia a boa-nova da produção abundante para saciar necessidades e desejos ilimitados do ser humano ( ).

J. Mo Sung, nesse contexto da imagem de Deus do capitalismo, cita a M. Novak, teólogo do sistema: “A imagem de Deus subjacente no livre mercado e no sistema ternário do capitalismo democrático é Phronimos, a previdente inteligência prática incorporada em agentes singulares de singulares situações concretas” ( ).

É um deus absolutamente surdo ao clamor dos pobres. Verdadeiro ídolo no sentido negativo do Antigo Testamento de manipulação do verdadeiro Deus (Ex 32), de destruir a identidade e a vida do povo, chamado por Deus a viver a Aliança e de matar em nome de Deus.

Resumindo, estamos diante duma idolatria. |Ela “consiste num deus fabricado pelo sistema opressor que, ao sacralizar o fundamento do sistema e, com isso, o próprio sistema, tira das pessoas a esperança da possibilidade de transcender o sistema opressor vigente, tirando do povo a sua subjetividade, a sua capacidade de desejar e de construir uma sociedade mais humana” ( ).

Levando ao paroxismo esse deus do capitalismo, alguns defensores do sistema afirmam despudoradamente o deus da prosperidade, da bênção e da recompensa do esforço dos ricos e de castigo aos pobres pelos seus pecados. Como o evangelista Luiz Palau, argentino naturalizado americano, pregava no Congresso Lausanne II, em Manila, Filipinas:: “O Terceiro Mundo é pobre porque é idólatra” ( ).

VI. Deus da teologia da libertação

A teologia da libertação oferece uma imagem de Deus que se situa em posição antípoda ao deus do sistema capitalista. Num primeiro momento, é um Deus que estabelece forte crítica ao deus capitalista, à “ilusão transcendental” que consiste em prometer e esperar para essa terra a realização plena de todas as necessidades e desejos humanos ( ). O deus capitalista gera o engodo de prometer e garantir por meio do desenvolvimento da tecnologia o cumprimento de todas as aspirações humanas. Nesse sentido, H. Marcuse falava de “fim da utopia” ( ) e F. Fukuyama de fim da história ( ). A categoria teológica do Reino de Deus oferece possibilidade de desmascarar tal mistificação do sistema capitalista. O Reino de Deus nunca se identifica plenamente com as estruturas do mundo. Jamais se institucionaliza totalmente na história humana. A completa realização do Reino de Deus ou do desejo humano de vida em plenitude para todos só pode ser obra de Deus que supera toda possibilidade humana ( ).

O Deus da ressurreição de Jesus é o fundamento desta esperança radical e fé escatológica, sem deixar-nos cair na ilusão transcendental da modernidade, nem no desespero e na frustração com os limites da factibilidade histórica ( ).

Sob o aspecto positivo, o Deus da libertação é aquele que ouve o clamor do pobre. Este clamor revela que falta algo. Aponta para a presença de uma ausência ( ). Revela a verdade sobre Deus e as pessoas. É mais do que grito “É um grito (dado com a vibração das cordas vocais ou com o corpos sofridos) de desespero dos desesperançados, mas é ao mesmo tempo um grito que nasce do mais fundo do ser, que nasce das entranhas na “esperança contra toda esperança de ser atendido,” de ser ouvido” ( ). É clamor articulado e silêncio abismal dos seres negados , do pobre ( ). É o pobre “absconditus” que se perde nos números das estatísticas. Seu clamor tem sido silenciado pelo neoliberalismo vitorioso ( ). Por sua vez, ele desmascara o ídolo que é um deus cuja vivência e veneração levam à morte, que é uma força, venerada como deus, que arrasta à morte ( ).

O Deus da libertação é o Deus da vida. A célebre frase de Santo Irineu serve de estereótipo dessa imagem de Deus. “A glória de Deus é o ser humano vivo”. Trata-se da vida concreta do ser humano, numa perspectiva unitária da criação e salvação, da natureza e história, da história humana e salvação. Se o deus do capitalismo opta pelos ricos, o Deus da libertação o faz pelos pobres, que carecem das condições de vida. Nesse sentido, é intrigante o título do livro do teólogo J. Mo Sung: “Se Deus existe, por que há pobreza ( )?”

A resposta se distancia abissalmente da quase blasfêmia do evangelista L. Palau. Só a onipotência de Deus entendida como amor dá razão da existência do mal físico e moral. Deus sofre ao lado dos pobres. Outro traço dessa imagem do Deus da libertação.

Finalmente, é também um Deus que ouve o grito da Terra a ser articulado com o grito dos pobres ( ). A Terra é o pobre cuja morte acarretará a morte de todos nós. Portanto, o Deus criador é o Deus da vida dos pobres e de todo o nosso planeta. Tudo está envolvido nesse mesmo projeto de amor.

CONCLUSÃO

Poderíamos ampliar essa série de imagens. Há uma, porém, de extrema importância, que deixamos de lado. “Aquela que É” ( ). A imagem feminina de Deus merece um tratamento tão amplo, profundo e diferenciado que não caberia nessa breve exposição. Tocaria, sem dúvida, a uma teóloga, cuja sensibilidade conseguirá entender melhor esses meandros, retratar-no-la ( ). O mesmo vale da imagem do Deus negro ( ). Também ela carece de um estudo mais profundo do que os limites de nosso trabalho permitem. E, finalmente, o mundo andino tem retratado o rosto índio de Deus ( ). Estas e outras imagens poderiam prolongar indefinidamente tal reflexão. Desta maneira, o quadro continua inconcluso e aberto.

Ano 1999

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